Ex-acolhidos compartilham boas lembranças em encontro na Casel

Mais que matar as saudades dos amigos e da casa onde muitos cresceram, o encontro que reuniu egressos, atuais acolhidos e funcionários da Casa de Ismael foi uma oportunidade de cada um mostrar como um lugar que cuida, educa e acolhe crianças e adolescentes com amor e comprometimento faz diferença.

Todos tiveram a oportunidade de compartilhar a sua visão sobre o acolhimento e a vida depois da Casa de Ismael. E foram muitos os conselhos como “aproveitem, estudem, façam muitos cursos”, algo falado por quase todos os ex-acolhidos da Casel.

Antes do almoço, todos se reuniram no auditório da Casel para dividir as experiências que viveram. Teve gente que se lembrou do quão cara foi a primeira calça jeans comprada ao sair da Casa de Ismael. Relatos de como a vida se mostrou difícil fora da instituição foram unânimes, mas todos também fizeram questão de enfatizar como o acolhimento com todos os recursos oferecidos foi fundamental na formação de todos.

O Leandrinho, por exemplo, contou que aprendeu que sempre é possível fazer algo pelo outro, que “é sempre dando que se recebe”, como ele disse ao se recordar das dificuldades que teve ao ir morar com a mãe e a irmã assim que saiu da Casel – período que a instituição continuou dando apoio a ele. “O tio Valdemar me ajudou com o ensino superior, custeado pela Casel e graças a esse suporte, hoje sou professor num colégio particular no Goiás e sou apaixonado pela minha profissão”, comemorou com emocionando a todos ao fazer um comovente reconhecimento “Foi me passado muito amor, muito carinho. A melhor coisa que aconteceu na minha vida foi passar 9 anos aqui na casa, com muito orgulho”. Ele ainda motivou os atuais acolhidos “Se você tem algum sonho, vá em frente, corra atrás , pois a dificuldade quem impõe é a gente. Pensem, sempre, eu posso, eu consigo, não importa o sonho que tenham”, encerrou.
Já o Jonathan, que ficou na Casel de 1997 a 2005, disse que somente hoje ele reconhece o quanto era bom estar na Casa de Ismael.
O Banana contou que está cursando faculdade e que quer voltar para a Casa de Ismael para ser voluntário. E agradeceu muito aos pais sociais que teve. Já o Matheus reforçou a mensagem “vocês têm que se esforçar, estudar. Eu estudei com bolsa durante 5 anos da casa Thomas Jefferson e fiz o estágio do Banco do Brasil, passos importantíssimos pro meu futuro”.
O Victor também conseguiu estudar. Hoje, graduado em Sistemas de Informação, ele está estudando para prestar um concurso público e reforçou a mensagem que todos deixaram “aproveitem o tempo que vocês estão aqui, é muito bom e gratificante”.
A Tatiane, que hoje é formada em Recursos Humanos, trabalha como correspondente bancária e também tem como meta passar num concurso público, reforçou o conselho “nunca desistam dos seus sonhos”. Ela chegou aos 4 anos e saiu da Casa de Ismael aos 12. “Aqui a gente encontra todo carinho, todo amor, que não existe lá fora, onde tem muita gente feia”.
A Roberta contou que chegou à Casel aos três anos e saiu aos 18.”Quando saí não sofri tanto porque seu Braz me deu a oportunidade de trabalhar na casa dele, e consegui trabalhar e estudar a noite – foram 5 anos. Trabalhei como babá e tudo, casei, tenho uma filha de 5 anos, me separei. E quando estava desempregada, sem ter onde deixar minha filha, seu Braz disse que tinha seleção pra mãe social, para a qual acabei passando e estou aqui há 4 anos trabalhando como mãe social”.
A Raquel contou o que pensava à época “Eu não era fácil, nenhum adolescente é fácil, a gente chega aqui revoltado porque nos afastaram dos nossos pais e mães, mas depois a gente entende o que foi o melhor pra gente”, assim como o Adilson “Lembro dos olhares de preocupação, mas de esperança.  Chegamos aqui com sementes de violência, de abandono.. mas crescemos e recebemos muito amor”.
É como dona Mazilza, assistente social. mostrou numa interessante dinâmica “A vida nos amassa, nos aperta.. e tem um momento que a gente pensa que a gente não vai aguentar. De repente, a gente se levanta e vê que a gente tem o mesmo valor – mesmo amassados, espezinhados. É a força interior que leva a gente pra frente”.
E a Vivian Queiroz, coordenadora do acolhimento falou da importante gratidão que a Casa de Ismael tem de poder ter cuidado, acolhido, educado e encaminhado tantas crianças à construção de um futuro melhor. “Ver vocês aqui hoje faz a gente acreditar que é possível!
Ter vocês aqui é um presente!”, concluiu.