Casa de Ismael inaugura projeto ConstruMais

Uma área coberta de 214 metros quadrados agora faz parte das instalações da Casa de Ismael. Inaugurada no último dia 15 de dezembro, permite que a Casa de Ismael ofereça aos seus acolhidos, funcionários e visitantes um espaço maior, com capacidade para cem lugares. Além disso, esse é um espaço de lazer que dá mais conforto e segurança para os frequentadores da Casa. Um projeto que há tempos era desejado e cuja realização só foi possível graças a liberação da verba do Fundo da Criança e do Adolescente e da colaboração da empresa alemã Team Fleischmann, que conheceu a Casa durante a Copa de 2014 e patrocinou parte da obra. 

Nossos colaboradores, membros do Conselho Diretor, da Organização da Sociedade Civil e, claro, nossas crianças e adolescentes participaram da inauguração deste que foi chamado de Projeto ConstruMais. 

O presidente da Casa de Ismael, Valdemar Martins, discursou sobre a importância do projeto e da desburocratização para liberação de recursos a fim de  que não só projetos como esse, mas outros voltados para a educação dos acolhidos, por exemplo, sejam realizados à mesma medida que as diferentes demandas passam a existir, evitando defasagens e atrasos, garantindo, assim, a inclusão de todos numa sociedade em constantes e rápidas mudanças. 

Foram convidados para inaugurar a placa que simboliza toda esse trabalho árduo que envolve desde a busca pela liberação de recursos até a execução do projeto, o secretário adjunto da Secretaria da Criança do Distrito Federal e presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, Antônio Carlos de Carvalho Filho e a Secretária Interina da Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Marlene de Fátima Azevedo. Ambos ressaltaram a importância, a amplitude e a seriedade do trabalho realizado pela Casa de Ismael. 

Com muita alegria, a Casa de Ismael agradece ao Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, à empresa alemã Team Fleischmann, patrocinadores dessa obra, e aos diretores da instituição, aos encarregados de departamento, aos trabalhadores voluntários, às empresas parceiras, aos associados, ao Conselho de Entidades de Promoção e Assistência Social (CEPAS), aos colaboradores da Casa e às crianças e aos adolescentes pela tolerância durante o período da obra.

A Casa de Ismael aproveita para lembrar que, quem quiser contribuir para o Fundo da Criança e do Adolescente e fazer parte de conquistas tão importantes, pode doar parte do imposto de renda devido. Lembrando que está na hora de fazer asa essa opção para ajudar a realizar tantos planos e tantos projetos voltados para nossas crianças e nossos adolescentes. As informações estão abaixo:

Sobre o Projeto ConstruMais:

O Projeto ConstruMais surgiu da necessidade de ampliar o refeitório e ocupar o espaço que era usado com tendas, contribuindo para a economia de dois terços dos custos dos eventos realizados na Casa. A criação desse espaço tinha como objetivo principal, segundo o presidente da Casa de Ismael, Valdemar Martins, acolher melhor os visitantes que visitam a Casel nos fins de semana e passam o dia com nossas crianças e adolescentes. Objetivo que está sendo alcançado, graças à agilidade e à competência de toda uma equipe eficiente que se mantém séria e organizada, o que permite a realização de projetos como esse. 

O projeto foi financiado com recursos do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, obtido por meio da participação de um edital público. O projeto da Casa de Ismael foi analisado durante um ano até que fosse aprovado. Para que alcançar tal aprovação, a Casa de Ismael contou com o trabalho de um voluntário que, há 11 anos elabora os projetos para a Casa – das estruturas educacionais, por exemplo, às de concreto -, o engenheiro eletricista aposentado, Fernando Monteiro de Figueiredo. 

Mas para que um projeto seja realizado, a Casa de Ismael conta com a diretoria de recursos materiais, que tem à frente o auditor fiscal aposentado, João Donadon, que colabora com a Casel desde 1997. Com pulso firme e muito jogo de cintura, o diretor consegue reajustar orçamentos, muitas vezes defasados devido à demora dos processos públicos na avaliação e aprovação dos projetos, o que é essencial para execução de um projeto como quase sempre ocorre – em um prazo curto e um orçamento reduzido. 

Por isso, a Casa de Ismael gostaria de compartilhar um pouco mais sobre os desafios dessas duas peças fundamentais nessa grande engrenagem que permite que esta instituição tenha êxito nos projetos que planeja e executa e, principalmente, se mantenha atualizada, pioneira e firme em sua missão de educar e cuidar de nossas crianças e  nossos adolescentes.

ENTREVISTA COM FERNANDO MONTEIRO FIGUEIREDO, ENGENHEIRO ELETRICISTA APOSENTADO E VOLUNTÁRIO DA CASA DE ISMAEL E COM JOÃO DONADON, AUDITOR FISCAL APOSENTADO E DIRETOR DE RECURSOS MATERIAIS DA CASA DE ISMAEL:

– Qual a importância dessa construção?

João – Esse nosso trabalho de colaboração na manutenção e eventual construção na Casa, é muito importante para a Casa ter alguém que possa, que tenha disponibilidade, inclusive, para estar com uma certa frequência, aqui, por quê? Porque essa casa tem mais de 50 anos. Boa parte de suas construções é muito antiga, então é difícil um dia que não apareça um problema pra ser resolvido, basta a gente lembrar das nossas próprias casas, principalmente quem mora em casa, quem mora em prédio, as despesas de condomínio  que tem sempre uma equipe trabalhando para essas manutenções. E é até gratificante quando a gente tem a oportunidade de participar de alguma atividade em que você está agregando alguma coisa nova à casa. Essa construção, por exemplo, é um sonho antigo, porque a casa não tinha um espaço amplo para a molecada brincar, para você reunir familiares que vêm visitar que seja agradável, ventilado, aberto, e próximo aos olhos de todos. Esse é um ponto, porque a gente tem aqueles corredores, mas nem sempre você tem sombra, porque a própria posição do sol às vezes inibe, o espaço é pequeno para determinados tipos de evento que se façam, e toda vez que a gente precisava utilizar aquele espaço para um evento maior, nós tínhamos despesas para contratar tendas para cobertura, e em última análises. Própria construção contribui para a receita da casa à medida que diminui as despesas quando há algum tipo de evento. 

– Como essa obra foi pensada? 

João – Essa construção que a gente conseguiu realizar é uma área ampla, 240 metros quadrados, aberta, ventilada, ampla o suficiente para absorver uma porção de eventos, ela pode ser utilizada como multiuso, está posicionada bem no centro do abrigo de forma que as mães sociais estão observando, qualquer um que passe por ali – é uma área de bastante fluxo – está vendo. Ela, além de ser coberta, houve uma preocupação de fazer uma edificação que se se harmonizasse com as demais construções existentes, que não ficasse parecendo um “puxadinho”, mas que ela integrasse a área como um todo. E parece que ela realmente atende esse objetivo, porque hoje ela serve para almoços e eventos beneficentes e eventos visando o suprimento de recursos da casa, para fazer festas comemorativas, seja da própria casa ou das crianças, como a festa de debutantes, funciona como área de lazer, funciona para os encontros dos familiares com os abrigados, os grupos de voluntários passam a ter um ambiente, um lugar, um espaço maior onde eles possam fazer gincana com a criançada, dar aula de música, pintura e outras oficinas. Então tudo isso vale para essa área. 

– Quanto tempo levou do planejamento até a conclusão?

João – A execução se deu num prazo relativamente curto, porque demora-se para a aprovar. Uma vez aprovado, às vezes demora um pouquinho para a liberação do recurso. E liberado o recurso, você tem uma data pré-fixada para entregar, para começar a prestação de contas. Eu recebi a informação no final de setembro, outubro, e tínhamos que entregá-la até o dia 15 de dezembro, E fizemos a festa de inauguração no dia 15 de dezembro. Mas busca de recurso para a ampliação do refeitório já vem de anos. É uma luta. A gente ficou muito satisfeito de tê-lo realizado.

Fernando – Nós trabalhamos sempre com vários orçamentos, no mínimo três orçamentos de empresas especializadas na realização desse trabalho. Essa é minha tarefa. Assim que eu fico sabendo que existe a possibilidade de obtenção  de um determinado recurso, eu já corro atrás e já faço alguns orçamentos já prevenindo as empresas que aquele é um orçamento prévio que a gente tem, uma vez que no próprio projeto, em grande parte dos casos, já é necessário apresentar planilhas de custo e depois na época da construção, é preciso atualizar as planilhas. 

Fernando – Esse tempo entre apresentar e executar dificilmente é com menos de um ano. A versão final deste, corrigida, é de agosto de 2016, por exemplo. E nesse tempo, os preços mudam. Este é um grande desafio da execução, porque tem projetos, por exemplo, que você vai comprar bens – televisão para treinamento, geladeira…

– Como funcionou o gerenciamento dos recursos? 

Fernando – Tem projetos que têm contrapartida, outros não, depende do edital, cada um tem uma regra. Este não teve contrapartida, mas a Casa quis fazer uma expansão, melhorar o piso (antiderrapante para dar mais segurança), então a casa entrou com recursos próprios como suplemento de recurso. 

João – Esse dinheiro veio da empresa alemã Team Fleischmann, com a qual a casa se comprometeu a fazer uma obra em benefício do atendimento dos nossos acolhidos. Por isso foi feita uma fusão entre os recursos para a ampliação dos espaços. 

– O que mais te chama atenção nesse projeto? 

Fernando – Esse projeto tem uma característica inovadora, isso é importantíssimo dizer. O dinheiro do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, do CDCA (Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente), devido a uma regra interna, não era permitido para uso em obras. Isso era um regulamento interno, isso não está na lei, a lei permite tanto que outros Estados praticam isso, mas aqui no DF não se praticava. Essa foi uma luta pessoal do Valdemar Martins, presidente da Casa de Ismael, que conseguiu junto ao Conselho, provar que não teria motivos para não podermos fazer obras. E ele conseguiu apoio dentro do plenário do Conselho e conseguiu aprovar. Então, esse foi o primeiro edital que usou-se dinheiro do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente aqui no Distrito Federal para fazer uma obra e essa foi a primeira obra. Por isso, na inauguração, o Valdemar chamou a atenção do presidente do Conselho e falou está aqui um exemplo que a gente precisa mostrar, uma obra feita!”. Então, é um símbolo. Essa obra num símbolo porque foi feita, pela primeira vez, com esse tipo de recurso. Isso também traz outras perspectivas para outras instituições.

João – Por isso, fizemos questão de colocar no meio o emblema da Casa – claro, bancado com recursos próprios -, para que esse marco não fosse esquecido de que essa obra é um símbolo. É importante dizer que esse recurso só é obtido porque existe o incentivo dado no imposto de renda que permite tanto as pessoas físicas como as pessoas jurídicas a destinarem parte do importo de renda devido por elas para o Fundo da Criança e do Adolescente, assim como tem para outros fundos. 

– Como funciona a liberação dos recursos do Fundo do Direito da Criança e do Adolescente?

Fernando – O Conselho do Direito da Criança e do Adolescente é quem gerencia esses recursos do Fundo do Direito da Criança e do Adolescente e lança editais para que as entidades inscrevam os projetos e possam concorrer aos recursos destinados a investimentos, custeios, e dentro dessas regras a entidade é aprovada para receber tal verba que está disponível para todas as entidades que queiram concorrer. 

Sobra dinheiro no Fundo, porque a máquina da burocracia não consegue lançar editais. Para concorrer a esses editais, é preciso cumprir todas as fases e todas as exigências que são feitas. O grande diferencial da Casa de Ismael é a organização de dados e informações sobre a própria instituição que permite dar uma resposta rápida e dentro dos prazos. A instituição precisa ter uma lista imensa de documentos e certidões em dia para participar dessa concorrência, o que a Casa de Ismael sempre mantém atualizada graças à eficiente estrutura garantida por seus colaboradores comprometidos, organizados e eficientes. 

– Qual foi o maior desafio na realização desse projeto?

Fernando – O maior desafio que eu coloco foi vencer a barreira de não poder usar esse recurso para obras. A burocracia atrapalha muito, é complicado ter a demora de cerca de um ano do tempo de lançamento de edital e liberação de recursos – e muitas vezes, esse tempo é ainda maior. E apesar de todas essas dificuldades, nós buscamos sempre manter a excelência dos nossos serviços.

João – Nós contamos com a boa vontade e a colaboração da empresa que fez a obra para solucionar problemas como desníveis, diferenças entre essa construção nova com o restante da casa que é bem antiga. Quando há honestidade, vontade e esforço, tudo é feito dentro do prazo e com qualidade.

– Qual a satisfação de ver esse projeto pronto?

Fernando – Quando a gente entra nesse andar, vê o nosso sonho sendo realizado. Cada criança, cada jovem que eu vejo ocupando esses espaços e tendo a oportunidade de ser incluído é motivo de uma satisfação muito grande quando sei que o móvel, o eletrônico ou o espaço foi obtido por meio da execução de projetos que eu ajudei a fazer. É uma satisfação muito grande, ainda mais essa, que a gente vê o sonho fisicamente realizado. E é um sonho de uma equipe, a Casa toda está envolvida e dedicando o melhor do seu trabalho para realizar tudo isso. É impossível não falar sobre a gestão de todo esse pessoal, a presença de um líder como o é o presidente da Casa de Ismael, é fundamental. 

João – A minha alegria é passar a qualquer hora por aquele espaço e nunca vê-lo vazio. Sempre tem crianças brincando, alguém passeando por ali, mães passeando com carrinhos de bebê naquela sombra gostosa… A minha alegria é ver a satisfação da meninada cheia de espaço pra brincar. É isso o que realmente importa e que nos dá a satisfação do dever cumprido. A gente vê aquilo lá e sabe que de alguma forma nós participamos e colaboramos. O mérito, obviamente, é da casa e de todos, mas saber que fomos um tijolinho, é de uma felicidade muito grande.