Casa de Ismael oferece aula de capoeira para as crianças

É de longe que se escuta um barulho diferente na Casa de Ismael. Não é de crianças correndo pra lá e pra cá chamando umas as outras, como sempre se ouve em dias normais. É uma música diferente que se ouve. E todo sábado é assim. A Casa de Ismael é contagiada por uma espécie de gingado, que vai envolvendo quem chega e embala a tarde das crianças acolhidas e das mães sociais que param tudo o que estão fazendo pra acompanhar a meninada. O som vem do berimbau e quem dita o ritmo são os professores de capoeira Flávio Andrade, também conhecido como Mestrando Simpson, e Antonio de Souza, o professor Arapuá.

Eles começaram a levar capoeira pra meninada este ano. Faz cerca de três meses que as crianças jogam capoeira no pátio. Mas quem vê os treinos, não acredita que faz tão pouco tempo. Em cada movimento, meninos e meninas vão se soltando e revelando um talento que nem eles sabiam que tinham dentro deles. Alguns arriscam até manobras difíceis, ficam de cabeça pra baixo, fazem passadas de gente grande e, o mais importante, mostram que com o esporte estão aprendendo a respeitar o adversário, a ser parceiro e apoiar o colega que está ao lado.

As aulas começam sempre às três da tarde e todos chegam uniformizados. Cerca de 50 calças e camisetas foram doadas para que as crianças pudessem treinar com conforto e segurança. Quem assiste fica bobo de ver a altura a que os saltos podem chegar. Mas antes de tudo, todos fazem um aquecimento, repassam alguns movimentos e interagem com alguns materiais educativos com o professor Arapuá, porque é como ele diz “é capoeira, mas não pode ser só capoeira, tem que ser brincadeira também”.

E essa brincadeira está ajudando muitas das crianças assistidas na Casa de Ismael a não só ter uma atividade física pra gastar muita energia, como a aprender a interagir entre elas com cidadania. O Mestrando Simpson, que também é professor de educação física, explicou que há uma série de cuidados para que o esporte atenda às necessidades das crianças. “Inclusive temos a Carla conosco, que é psicóloga e também capoeirista. Ela nos ajuda tentando aproximar aquelas crianças que num primeiro momento não se interessam pela atividade”, explica o Mestrando Simpson, ou para a criançada, professor Flávio.

A Casa de Ismael é um dos lugares onde os professores atuam. Eles também fazem trabalhos sociais com crianças de outras partes do DF e, agora, planejam montar um campeonato. “Pretendemos fazer a competição entre setembro e outubro, com troféu, medalha, tudo certinho, e vamos trazer outras crianças para competir aqui com a meninada da Casa de Ismael”, conta Flávio.

Nesse campeonato, segundo Flávio, a meninada também vai poder trocar de cordão e começar a evoluir na capoeira: “Executar trabalhos sociais voluntários é parte da arte da capoeira também. É muito bom chegar aqui e interagir com as crianças, a gente sabe que assim pode estar contribuindo pro crescimento delas, mas quem é beneficiado mesmo é a gente, porque a gente sai daqui leve, com uma boa sensação de dever cumprido”.

Já imaginou essa meninada dando um show num campeonato? Elas estão, agora, treinando pra isso, mas já mostram que são capazes de encantar quem as assiste num simples treino de sábado.